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postheadericon Niterói promove seminário pelo Mês do Orgulho LGBTQIA+

 

 

A Prefeitura de Niterói através da Área Técnica de Saúde LGBTQIA+ da Secretaria Municipal de Saúde realizou na nesta quinta-feira (29) o seminário Mês do Orgulho LGBTQIA+ - Política LGBT e Processo Transexualizador: avanços, barreiras e a experiência de Niterói.


O evento aconteceu no auditório da Policlínica Regional Dr. Sérgio Arouca no Vital Brazil e teve um enfoque especial na experiência pioneira do ambulatório de Atenção à Saúde da População Travesti e Transexual João W. Nery criado em 2018 e que é o primeiro espaço exclusivo, entre todos os municípios do estado do Rio de Janeiro, para as pessoas transexuais serem assistidas em seus processos de hormonização e, na lógica do cuidado integral à saúde, serem referenciadas para o tratamento de outras demandas nas demais unidades de saúde do município.


Após as apresentações formais, o seminário começou com a fala do coordenador de Equidade da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, Celso Vergne, que falou das dificuldades de se implementar políticas de saúde para a população LGBTQIA+. “Quando você fala sobre implantar uma política para uma cidade, um estado ou um país, você lida muitas vezes com uma grande maioria que silenciosamente amola a faca e que fazem com que as pessoas não tenham o direito de ser quem são. A gente está lidando com um material muito turvo, a gente tá falando sobre subjetividade, preconceitos, medo e incompreensão dos diferentes mundos que existem entre nós e que a gente precisa com políticas de saúde em um sistema de saúde fantástico que é o SUS prover cuidado a todos, todas e todes”, afirmou.


Subsecretária da Codir (Coordenadoria de Defesa dos Direitos Difusos e Enfrentamento à Intolerância Religiosa), Felipe Carvalho também foi chamado a mesa para falar sobre a situação do ambulatório João W. Nery. “Através de uma boa vontade política e o entendimento de uma gestão progressista, unida ao movimento social organizado que constantemente faz a luta por essa comunidade, nós conseguimos implantar o ambulatório na nossa cidade.  Antes que vocês perguntem, ele está dentro de todas as normas técnicas do Ministério da Saúde, nós já temos uma profissional do ministério que já visitou o ambulatório para ajudar nas habilitações que são necessárias, afirmou ela que também é ex-presidente Grupo Diversidade Niterói.


Dois personagens importantes dessa história de quase cinco anos do ambulatório João W. Nery também estavam presentes, Maria Célia Vasconcellos, vice-presidenta da VIPACAF e o psicólogo Luiz Felicio Carvalho. Ela lembrou da experiência pioneira do município de Niterói no acolhimento LGBTQIA+ lá no começo dos anos de 1990 quando o Hospital Municipal Carlos Tortelly abriu o seu ambulatório e enfermaria especializados em pacientes portadores do vírus HIV. “Ninguém queria ter contato, todo mundo dizia que era o 'câncer gay', isso está registrado. Nós tivemos que enfrentar, inclusive o Conselho de Saúde que não era muito favorável. O secretário de Saúde Gilson Cantarino bancou, o prefeito se não me falha a memória era Jorge (Roberto Silveira) e nós emplacamos o nosso ambulatório e a enfermaria que funcionam até hoje”, explicou.


Maria Célia também relembrou da providencial emenda parlamentar destinada pelo deputado federal na época, Wadih Damous (PT), em 2018 para a criação do ambulatório João W. Nery. “O ambulatório trans era o que nos faltava, porque era muito difícil a gente ter os recursos. A nossa sociedade teve um retrocesso violento e que trouxe à tona um tipo de preconceito 'contra tudo, contra todos e contra todes', mas felizmente o amor venceu o ódio e a gente está tendo que reconstruir, o que às vezes é muito mais difícil do que dar continuidade. Nos ajudou enormemente a emenda parlamentar para que a gente pudesse ter o ambulatório trans na Policlínica Sylvio Picanço”, relembrou.


Ela fechou a sua participação falando sobre como as unidades de saúde são importantes portas de entrada para essa população através do acolhimento, compreensão e a possibilidade da escuta.


Esse foi um ponto também levantado por Luiz Felicio Carvalho, o psicólogo esteve presente na implantação e nos primeiros anos do ambulatório, tendo que se afastar em março de 2021 por problemas de saúde após contrair Covid-19. Ele lembrou que no começo o turno de atendimento era somente pela manhã, mas devido a enorme demanda tiveram que estender para a parte da tarde às quartas-feiras. "Um ponto diferencial do ambulatório se pautava na desburocratização do acesso e da permanência no serviço, dando mais importância nos atendimentos de quem precisava do que as regras e protocolos pré-estabelecidos. O objetivo disso era acolher e integrar usuários da saúde da forma que fosse possível, facilitando o trânsito pela rede”, contou ele dando ênfase na questão do acolhimento em seguida: “está relacionado ao ato de recepcionar e não tem hora e nem local para acontecer, tão pouco um profissional esquecer. Trata-se de uma postura ética e implica a escuta dos sujeitos em suas queixas. Acolher é um compromisso de resposta às necessidades dos cidadãos e cidadãs que buscam as unidades de saúde”, encerrou.


Sobre o ambulatório – Inaugurado em 2018, o ambulatório João W. Nery foi pioneiro entre todos os municípios do Rio de Janeiro. O local possui uma equipe composta por médico endocrinologista, enfermeiros, profissionais da Saúde Mental e assistentes sociais, garantindo o respeito à identidade de gênero e assegurando o exercício pleno da cidadania de todos. A unidade fica na Policlínica de Especialidades Sylvio Picanço, no Centro de Niterói. Os atendimentos podem ser marcados pelo telefone (21) 2612-8184.

 


 


 
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